Para Memorizar

Jesus foi exaltado à direita de Deus pai (Fp 2:9-11)

O cristianismo verdadeiro não é possível sem o enchimento do Espírito Santo. Enchimento do Espírito? Batismo no Espírito? Unção do Espírito? Qual é a terminologia mais adequada para nos referirmos a essa experiência? O mais provável é que qualquer uma dessas expressões seja correta. Mas se usássemos apenas uma delas não teríamos o conceito correto do que representa a obra do Espírito Santo.

Quem está espiritualmente insatisfeito precisa ser batizado no Espírito. Quem tem percebido sua falta de testemunho pessoal convincente que vença toda resistência, precisa ser ungido com o Espírito Santo. Aquele cujas características pessoas são mais notadas do que a presença do Senhor nele deve ser investido de poder do alto (Lc 24:49).

Se você respondeu ao chamado desafiador de Jesus para “fazer discípulos de todas as nações” e ser suas testemunhas “de Jerusalém até os confins da terra”, então você está em guerra e precisa do poder que vem do Espírito Santo (At 1:8).

Temos experimentado a presença do Pai que tanto nos amou, e a obra do Filho que pagou o preço pelos nossos pecados na cruz, mas nunca antes se fez tão necessário que tenhamos sucessivas e crescentes experiências com o Espírito Santo como agora, pois a fé cristã, sem poder para vivê-la, provoca frustação e irritação. Além disso, a vida cristã sem esse poder e sem esse frescor é a melhor escola para se formar fariseus!

Poder e Perigo


Certa vez, um homem estava fazendo seus empregados empurrarem seu carro novo, quando perguntaram a ele se o carro não podia andar sozinho, ele respondeu: “sim, pode, mas tenho medo do coloca-lo em movimento”.

Para aqueles que experimentaram o batismo no Espírito Santo e ficaram apenas com a experiência inicial, considerando isso como um fato passado, superado e controlado, a palavra de Deus anima a nós todos a nos renovarmos com mais do Espírito sem medo de “por a máquina em movimento”.

Pedro foi cheio do Espírito junto com os 120 no dia de Pentecostes, aparece cheio novamente diante dos sacerdotes judeus (At 4:7), e novamente junto com a multidão dos discípulos quanto tremeu o lugar onde estavam e “foram todos cheios do Espírito Santo” (At 4:31).

No entanto, se colocarmos a máquina em movimento, aviso que vão acontecer mudanças. Vamos ser mais exagerados nas coisas de Deus, haverá mais santidade, causaremos mais incômodo ao mundo, pregaremos “fora de tempo” com muito mais frequência, ficaremos cheios do Espírito fora do horário das reuniões e o diabo e os mornos terão mais problema conosco. A máquina em movimento causará temor naqueles que não conhecem o desejo de Deus de derramar seu Espírito sobre toda carne e encher toda terra com sua glória.

Excedente do Espírito


Perguntaram a um adestrador de cães como ele fazia para educar os cães. Ele respondeu: “É muito simples. Basta saber um pouco mais que eles”.

Precisamos estar acima de nosso trabalho para que ele não nos fatigue e se torne rotineiro. Quando estamos cheios do Espírito, nosso cálice transborda e isso é excedente. Quando uma família tem um carro, isso poderá passar despercebido pelos outros, mas se tiver dez carros chamará a atenção de qualquer um.

Uma pessoa que teve uma experiência com o Espírito há muito tempo atrás nada de diferente será notado, mas aquele que estiver buscando mais direção do Espírito Santo, mais unção, mais da presença de Deus, mais fogos, de tal maneira que sua temperatura supere a do mundo e do inferno, aí haverá excedente. O primeiro a quem chamará atenção é Satanás e em seguida do mundo também.

Um cristão entra em conflito quando Satanás e o mundo excedem sobre ele, mas isso termina quando o Espírito Santo o enche e transborda. Só é permitido ao cristão ter uma coisa em excesso: o Espírito Santo.

No Pentecostes, quando os 120 foram cheios do Espírito, as pessoas não relacionaram o fato com entusiasmo ou fervor, mas com embriaguez. Uma pessoa fica embriagada quando toma álcool em excesso. E isso se percebe perfeitamente!

De todas as particularidades de um ébrio quero destacar uma: convida outras pessoas ao seu vinho para que fiquem como ele. Paulo nos exorta para não nos embriagarmos com vinho, mas com o Espírito Santo (Ef 5:18). Esse excedente do espírito decidirá todos os resultados. Qualquer um pode ser um vencedor, mas “mais que vencedor” somente aquele que permanece cheio do Espirito. É esse excedente que nos permite realizar todas as tarefas e ainda ficar com forças de reserva.

Na Água e no Espírito


Com o batismo nas águas deixamos o mundo para trás, mas com o batismo no Espírito entramos na vida de Cristo. Como batismos nas águas, um cristão batiza outro, mas com o batismo no Espírito, é Cristo quem batiza (Lc 3:16). É Cristo quem quer batizar no Espírito. Os dois batismos são por imersão, mas no primeiro a pessoa é mergulhada na água, e no segundo ela é mergulhada no Espírito Santo.

O batismo nas águas concretiza nossa decisão de seguir a Cristo e nos capacita a ir para o céu, mas o batismo no Espírito nos capacita a viver o céu aqui na terra. Não basta ensinar os novos convertidos sobre o batismo nas águas, temos que batizá-los! Tao pouco são suficientes os estudos bíblicos sobre o Espírito Santo. Temos que receber a promessa do Espírito de maneira experimenta, tal como recebemos o batismo nas águas.

Pentecostes para Todos


Antes do Pentecostes, os discípulos tinham Cristo vivo junto deles. Mas depois do Pentecostes, a vida de Cristo foi colocada dentro deles e podiam produzir essa vida dentro de outros! Sem o Pentecostes não teríamos sequer ouvido falar da igreja. Isso mostra que eles tinham motivos sadios para receber a plenitude do Espírito.

Hoje em dia se se ouve dizer que as pessoas querem entram na experiência da plenitude para falar em línguas. Outros querem ter poder para expulsar demônios e curar enfermos. E alguns o querem para renovar o fogo do Espírito. Aos que tem alguma dessas ideias eu diria que está pretendendo ter essa investidura de poder para seu próprio benefício. Certamente haverá línguas, sensações e vida de poder, mas o motivo para se receber esse poder é ”ser testemunhas... até os confins da terra”.

Se não dermos o canal correto a esses rios ficaremos frustrados e não daremos a glória a Deus. Será algo que começará em nós e terminará em nós.

Diz-se que o livro de Atos dos Apóstolos é um livro da Bíblia que ainda não foi concluído, pois começa com 120 pessoas em Jerusalém e chega ao final com grandes multidões espalhadas por toda parte. Hoje o Espírito Santo segue atuando e movendo-se porque deseja que o reino de Deus se estenda por toda a terra. Cada geração poderá adicionar as obras do Espírito Santo em seu tempo ao livro de Atos, pois ele ainda não está terminado.

Vemos que os primeiros discípulos entenderem que o motivo de serem cheios do Espírito era serem testemunhas até os confins da terra. O poder de Deus é, em primeiro lugar, para estar em sua presença a fim de contemplá-lo, conhece-lo e ouvir sua voz e, assim, levar o que recebeu ali diante de seu trono a toda criatura.

Diante da pergunta “o dom do Espírito é para mim?”, encontramos a resposta em At 2:4 – “foram todos cheios do Espírito Santo”.

Se o Senhor nos envia como cordeiros em meio a lobos, a enfrentarmos Satanás e seus demônios cara a cara, fará isso sem nos equipar primeiro? Gosto de ver as mães quando mandam seus filhos à escola e ficam perguntando: “Pegou lápis e borracha? Esta levando blusa? E o livro de leitura?”. Se as mães mandam seus filhos equipados ao colégio, quanto mais nosso Pai celestial.

O equipamento que ele nos dá é o mesmo de Jesus e nada menos. Nenhuma benção dada a Jesus será negada aos que o seguem. Todos os que estavam no cenáculo no dia de Pentecostes foram cheios com o Espírito Santo. Todos receberam. Ninguém deve se sentir excluído.

Pedir um Presente?


Pedro disse: “recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38). Dom é o mesmo que presente ou favor. O batismo com o Espírito Santo é um presente de Deus. Mas Jesus disse: “Se vós sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo todos que o pedem” (Lc 11:13). Pedir um presente? Então, já não seria mais presente. Sim, mas esse é o único presente de Deus que você deve pedir por causa do preço pago na cruz em nosso favor, para que aquele que não tem interesse não o receba. É como reconhecer diante de Deus que você quer receber aquilo que tanto lhe custou.

Quanto ele demora em responder esse pedido? O Pai tem mais interesse do que nós em que cada um seja cheio do seu Espírito. De modo que ele está aguardando que alguém o peça para que ele possa derramar. Tal como a salvação, que é recebida pela fé, o batismo no Espírito é recebido pela fé. Aquele que pede, imediatamente recebe.

Como uma pessoa pode saber que usou a fé e que recebeu? Porque começa a dar graças, a agradecer. A ação de graças confirma que algo dado já lhe pertence (Fp 4:6). Enquanto não dermos graças não podemos ficar com o que nos deram. Mas com ação de graças, já é nosso. Assim que, uma vez que tenhamos pedido, devemos dar graças por aquilo que já temos e começar a louvar o Senhor. Por um presente pequeno agradecemos pouco. Por um presente maior, aumentam as ações de graça. Mas se o presente excede a medida de toda possibilidade humana, quanta deve ser a gratidão?! E o Louvor?!

O dom do Espírito Santo é o maior presente que Deus tem para sua Igreja, é a conquista de Jesus Cristo seu filho em nosso favor. Um presente que excede a todo entendimento. Então, que as ações de graça e os louvores superem nossa cultura, tradições, temperamento e costumes. O Espírito Santo, quando enche alguém, fará crescer a mentalidade de louvor, provendo-lhe uma nova linguagem ajustada à nova situação.

Essas línguas podem sair da boca como torrente, ou como palavras fixadas na mente sem que se entenda (1Co 14:2). A pessoa deve pronunciar essas palavras deixando que o Espírito as forme, enquanto fixa sua mente e coração nAquele a quem elas são dirigidas: ao Filho amado e ao Pai.

Diante de semelhante presente, podemos ficar com as mãos nos bolsos e com a cabeça abaixada, afundada no peito? Da mesma maneira que levantamos as mãos ao receber alguém querido, assim levantemos nossos braços e nossos rostos ao Senhor, de quem vem o dom do Espírito Santo.

Variedade de Experiências


Por causa desse enchimento do Espírito ocorrem várias experiências. Alguns riem com ondas de alegria; outros sentem uma limpeza profunda enquanto choram. Alguns experimentam uma explosão de louvor em línguas; outros um fogo abrasador em seu interior; outros uma voz suave e quase quieta. Não há uma regra fixa para todos. O espírito Santo opera segundo as necessidades de cada um. Ninguém deve pensar que sua experiência valeu menos porque não é igual à de outros irmãos. Cada um recebe o que necessita. Não pretendamos impor de antemão qual a experiência queremos ter. Deixemos isso a cargo da soberania do Espírito Santo.

Com respeito às línguas, lembremos que 120 pessoas foram cheia do Espírito no dia de Pentecostes e todas elas falaram em línguas. Quando Pedro entregou a mensagem a Cornélio e todos os que estavam em sua casa, ocorreu a mesma manifestação (At 10:44-46). Em Éfeso, doze homens foram cheios do Espírito Santo e os doze falaram em línguas (At 19:6).

Surge com isso a pergunta: “Todos os que estão cheios do Espírito Santo falam em outras línguas?”. Quase sempre a pessoa que faz essa pergunta já tem uma resposta preconcebida. Sugiro que a façamos de outra maneira: ”Posso entrar na mesma experiência e da mesma maneira que ocorreu em Pentecostes, e como registram outras passagens do Novo Testamento?”. A resposta é: Sim!

Uma Advertência


Logo que Jesus foi batizado nas águas do rio Jordão, João “viu o Espírito Santo, que descia do céu como uma pomba e permanecia sobre ele” (Jo 1:32). Formosa relação: a pomba com o Espírito Santo. Sabemos quão sensível e delicada é uma bomba, qualquer movimento estranho a espanta. Assim será com aqueles que são cheios do Espírito Santo. Se, após isso, se envolverem com atos pecaminosos, palavras fora de lugar e pensamentos que ofendem a Deus, a “pomba” voará. Não espantemos a presença sensível de Deus, não entristeçamos ao Espírito Santo.

É conveniente pensar determinadamente na frase final do texto citado: “e permaneceu sobre ele”. Se cuidarmos do que recebemos, a glória de Deus e o frescor de sua presença permanecerão sobre nós. Também usaremos as novas línguas como a Palavra de Deus nos ensina: orando em língua, como também em nossa própria língua, cantando e intercedendo em todo tempo (1Co 14:15, Rm 8:26, Ef 6:18).

Se permanecermos nesse exercício espiritual, sem dúvida as dificuldades estarão chamando à nossa porta. Como alguém disse: “É como se tivéssemos dentro de nós um elefante”. Um elefante descontrolado pode fazer destroços. Ficar cheio do Espírito não significa maturidade. Que importante é receber orientação de homens e mulheres maduros nas coisas de Deus para nos ajudar a canalizar esses rios de água viva!

Satanás tentará vez após vez nos tirar da posição de poder e vitória, mas maior é o que está em nós do que o diabo. O que tem enchido nossos vasos não só tem poder para nos guardar, mas também para atacar e não há melhor defesa que o ataque. Avançaremos sobre novos terrenos que são dominados por Satanás e os tomaremos para Deus, sejam eles hábitos, áreas de nossas vidas, lares, cidades ou resistências contra o evangelho. O alvo é estender o reino de Deus ao mundo inteiro.

“O Espírito e a noiva dizem: Vem!” (Ap 22:17). Isso se chama concordância. O Espírito e a esposa, ao final dos tempos, concordam. Apontemos para essa concordância em tudo: É a melhor maneira de cuidar do dom de Deus e a melhor maneira de colocar a máquina em movimento!

 

Revista "Encuentro En Cristo" Nro 1 - Março 1986

Tradução:

Ricardo de Paula Meneghelli
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