Para Memorizar

Arrependimento é mudança de atitude interior. (Mc 1:14-15)

Após aprendermos sobre a vida e a obra de Jesus é de vital importância que entendamos como devemos nos relacionar com Ele hoje. Nós cremos em Jesus Cristo, mas será que damos a Ele o lugar que realmente deve ocupar em nossas vidas?

Algumas pessoas vêm Jesus apenas como seu Salvador, o filho de Deus que morreu para lhes salvar. Mas tanto os evangelhos como as cartas dos apóstolos o apresentam primordialmente como Senhor. No Novo Testamento existem mais de 300 referências a Jesus como Senhor e apenas 3 referências a Ele como Salvador. Isso não diminui o fato de Ele ser nosso salvador, mas mostra que acima de todas as outras coisas, Jesus é o Senhor e é esse o lugar que deve ocupar em nossas vidas.

Fp 2:6-8 Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.

Antes de nascer nesse mundo, Jesus já existia na forma de Deus. Ele era Deus. Mas mesmo sendo Deus, Ele não se apegou a esse fato, mas despojou-se, esvaziou-se de sua condição de Deus e veio ao mundo como homem, na condição de homem. O Ser supremo de todo o Universo, o Criador, tomou forma de criatura. Ele humilhou-se e assumiu a forma de servo, sendo obediente até a morte na cruz.

Por causa disso, o Pai o exaltou acima de todas as coisas, fazendo-o assentar-se a sua direita nos céus. E lhe deu um nome que está acima de todo nome, diante do qual todo joelho se dobrará (nos céus, na terra e debaixo da terra). Todos os seres do universo: homens, mulheres, crentes, pecadores, ateus, mortos, anjos e demônios, dobrarão seus joelhos ante a menção desse título supremo que o Pai deu ao Filho quando o exaltou. E toda língua confessará: Jesus Cristo é o Senhor!

1) O Nome sobre todo nome


Cristo tem vários nomes preciosos: Lírio dos Vales, Rosa de Saron, Estrela da Manhã, Resplendor da Sua Glória, Sol da Justiça, Bom Pastor, Redentor, Emanuel, Conselheiro, Deus Forte, Príncipe da Paz, Jesus, Salvador. Mas entre todos os seus nomes, há um que está acima de todos os outros, o título que o Pai lhe Deus: SENHOR.

No Velho Testamento YHWH era o Senhor. Agora Ele dá este nome ao Filho e passa a ser chamado de Pai. ( vide todas as cartas de Paulo : "...Deus nosso Pai e o Senhor Jesus Cristo..."). Hoje estamos mal acostumados com o termo "Senhor". Usamos como pronome de tratamento: "Sr. Fulano". Mas o que significa "Senhor" no contexto bíblico? Nos tempos bíblicos, poucas pessoas eram chamadas de Senhor. Somente os que possuíam escravos, terras, propriedades e autoridade. A palavra grega aqui é Kyrios:

Chefe +
Dono +
Amo +
Soberano +
Máxima autoridade
-------------------------- =
Kyrios (Senhor)

Romanos 10:9 Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. 

Desse modo, quando alguém confessava Jesus como Senhor de sua vida, estava dizendo: "Jesus, tu és meu chefe, meu dono, meu proprietário, aquele que manda na minha vida. Sou teu e tudo o que tenho pertence a ti, és meu Amo". O contrário de Senhor é escravo, e é aí que nós nos encaixamos: O Senhor é o dono da vida do escravo. Mas a palavra KYRIOS com letra maiúscula, era usada somente para Cesar, o Imperador , a autoridade máxima do Império Romano. Na época haviam muitos escravos, cada um tinha o seu kyrios, mas Cesar era o Kyrios dos kyrios. Ele era dono de tudo, nada que as pessoas possuíam era delas mesmo, nem suas casas, suas vidas, nada. Era tudo de "Roma", do Kyrios.

Por outro lado, Paulo viu nos dias do Império Romano, surgir outro Reino, que começava com força e se estendia sobre toda a Terra: O Reino de Jesus Cristo, o Senhor! Cada discípulo tinha a revelação clara de que Jesus Cristo era o Senhor de sua vida. Tinha clareza que nada do que possuía era seu mesmo, nem mesmo a própria vida. Era tudo do Senhor. (veja como Paulo assina todas as suas cartas, por exemplo Fp1:1 )

2) A Conversão ao Senhor


Interessante observar que a proclamação de Jesus era: “Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus.” Quando se aproximava de alguém, colocava-o diante de uma disjuntiva: entrar no reino ou excluir-se dele. Qual a condição que impunha para alguém entrasse no reino? Subordinando-se, sujeitando-se à autoridade do Rei. Cristo enfrentava os homens com sua própria autoridade. Em outras palavras, estava dizendo: “Sujeite-se a mim e reconheça-me como o Senhor de sua vida ou não fará parte do reino de Deus.” Este foi e sempre será o chamado aos discípulos.

Simão e André


A Simão e André, disse: “Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4:19). Jesus não lhes disse: “Se vocês quiserem vir após mim, levantem a mão?” Não! Não dá detalhes e explicações. Pedro e André estavam diante de uma ordem objetiva. E,o que se faz com uma ordem? Obedece-a ou não. Não há outra alternativa. Pedro poderia reagir dizendo: “Mas, quem é este homem? Quem pensa que é? O que pretende? Eu sou o senhor, o dono da minha própria vida. Até agora, ninguém me deu ordens. Como vem este homem e me ordena que o siga?” Porém, não foi esta a sua atitude. Tudo o que compreende é que deveria deixar todas as coisas e seguir a Jesus. Quanto ao convite para converter-se em pescador de homens, seguramente não compreendia nada. Seria como dizer: “Vinde, segue-me, vou fazer-te sapateiro de almas. Sapateiro de almas? Que é isso?” É certo que Pedro, como dono e senhor de sua vida, fazia o que bem queria. A partir daquele momento, contudo, surge alguém que pretende converter-se em senhor de sua vida. E suas palavras soam com autoridade. Que significaria isto para ele? Sujeitaria toda sua vida a Cristo.

Mateus


O mesmo acorreu no chamado de Mateus. Estava trabalhando e, de repente, alguém surge em sua presença e ordena-lhe: “Segue-me!” Qual deve ter sido sua reação? Provavelmente, deveria ter inquirido por alguns segundos, no seu íntimo: “Que significa isto? Que pretende este homem? Quem é este homem? Por que segui-lo? Para que?” Mas, a sua reação é surpreendente: não dialoga e nem questiona Jesus; apenas obedece-o. Coloca-se de pé, empurra a mesa e anda na direção de Jesus.

A coversão significa a rendição total à sua autoridade. Jesus jamais rebaixou seu mandamento. Sempre exigiu o tudo ou o nada. Não é possível dizer-lhe: “Seguir-te-ei, mas deixa primeiro...” Não! A resposta de Cristo sempre será: “Se queres seguir-me, eu sou o primeiro, o tudo, não há nada depois de mim”. Jesus chama homens e mulheres que se rendam inteiramente a seu chamado. São esses que irão edificar sua igreja. Todos devem entender, desde o princípio, que segui-lo significa reconhecê-lo como Senhor e Rei da sua vida; a autoridade suprema e inquestionável.

Zaqueu


Em Lc 19:1-10, vemos o caso de Zaqueu. Ele era um homem rico e com autoridade. Era o chefe dos cobradores de impostos. Também era uma pessoa de mau caráter, pois não era honesto nas coletas e defraudava as pessoas na sua contribuição. Quando desejou ver Jesus ele se humilhou, subiu numa árvore e o aguardou passar (imagine só: um chefe, ou um gerente, subindo numa árvore para ver um pregador). Quando Jesus o avista dá-lhe uma ordem: “Zaqueu, desce depressa!”. Ele obedeceu sem questionamentos e recebeu Jesus com alegria. Além disso, deu parte de seus bens aos pobres e restituiu as pessoas que havia prejudicado.

O Jovem Rico


Por outro lado, em Mc 10:17-22, encontramos certo jovem que também era rico e possuía muitos bens. Ele se aproximou de Jesus como alguém que já conhecia os mandamentos, já os observa desde pequeno e queria alcançar a vida eterna através de algo que ele mesmo deveria fazer – confiava muito em sua capacidade. Jesus conhecendo o seu coração, sabendo o que o prendia diz: “vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me”. Uma ordem simples e poderosa. Com ela, Jesus levou-o a fazer as contas: o que vale mais? Seguir a Jesus ou ficar com meus bens? A resposta certa estava na simples obediência. Se obedecesse tomaria o caminho certo. Ele, porém, foi embora, pois tinha muitos bens.

Observe também que Jesus não foi atrás dele dizendo: “Espere um pouco. Acho que exagerei. Dê só o dízimo e está tudo bem”. Não era a quantia, era a obediência que era importante, mas isso o jovem ele não fez.

3) O evangelho que esta sendo pregado


É este o evangelho que está sendo pregado? Nos convertemos com esta mensagem? Em que, então, consiste a debilidade de nossas vidas? O por quê da frieza de nossas congregações? Cremos em muitas doutrinas a respeito de Jesus Cristo: Ele morreu pelos nossos pecados; Ele é o Salvador; ressuscitou; responde às nossas orações; voltará em glória para chamar a sua igreja. Porém, não temos rendido nossas vidas a Ele; não o temos reconhecido como Senhor; como amo absoluto; dono de tudo que somos e de tudo o que temos. Assim, nos convertemos a Cristo reconhecendo-o como o nosso “único e suficiente Salvador pessoal.” Na igreja primitiva, contudo, as pessoas não se convertiam a Cristo aceitando-o como Salvador, senão reconhecendo-o como o Senhor de suas vidas. Em nossas pregações enfatizamos que Cristo é o Salvador, Salvador, Salvador. E estamos certos. Mas não era este o título com que os apóstolos anunciavam a Jesus Cristo. Em todas as epístolas, Paulo fala somente três vezes de Cristo como Salvador (algumas outras vezes, o termo Salvador refere-se a Deus Pai). No entanto, a palavra kyrios é usada mais de trezentas vezes. Que proporção! Nós, ao contrário, apresentamos a Cristo trezentas vezes como Salvador e apenas três vezes como Senhor. E o resultado é o nosso estado atual. Naquela época, a conversão não era uma simples questão de palavras: “Eu o aceito como meu Salvador pessoal”. A conversão implicava, necessariamente, no senhorio de Cristo sobre a vida do converso. Paulo afirmou em Romanos 10:9: “Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” Como opera a salvação? Confessando a Jesus Cristo como Senhor e crendo no coração que Deus o ressuscitou dos mortos.

A Palavra nos exorta: “Nem todo o que diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mateus 7:21-23). E ainda: “E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica (apesar de ouvi-la, de nelas crer, de pregá-la) será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia, e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa; e ela desabou, sendo grande sua ruína” (Mateus 7:26,27). Edificar sobre a rocha é reconhecer a Cristo como Senhor da vida e viver cada dia evidenciando este reconhecimento.