Para Memorizar

Jesus teve uma vida perfeita e irrepreensível (1Pe 2:22)

Deus não criou o homem para viver só. Desde o início Ele desejou que o homem vivesse em família, gerando assim seu primeiro círculo de relacionamentos. Por isso, todos nós dependemos uns dos outros de diversas maneiras. Nossas vidas são transformadas e moldadas umas às outras, em maior ou menor grau, pelos relacionamentos que temos com outras pessoas.

Jesus sabia disso, e conduziu seu ministério na terra, desde o início, chamando pessoas para um intenso relacionamento com Ele. Isso pode ser percebido em diversas passagens das Escrituras pelo emprego dos termos “vinde após mim”, “siga-me” e “meu discípulo”. Esses termos demonstram o tipo de relacionamento para o qual ele chamava as pessoas:

Mateus 4:19 Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. (ACF)

Marcos 8:34 E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me.

Lucas 14:27 Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.

O modo com esses termos são empregados no Novo Tentamento tem muito a nos ensinar. Vamos observar um pouco mais de perto cada um deles:

  • “Após mim” (opiso mou): significa atrás, depois, após mim. No contexto bíblico, quando associado a Jesus, significava andar por onde Ele andava, participar da vida e da comunhão dos sofrimentos Dele. Era um chamado ao serviço e à obediência, abandonando os vínculos anteriores para segui-lo.
  • “Seguir” (akoloutheo): significa ir para algum lugar com outra pessoa, ir atrás de alguém, seguir. Essa palavra aprece 60 vezes nos Evangelhos e 10 vezes no restante do NT. Nos lábios de Jesus, freqüentemente aparece como imperativo, quando chama os discípulos – “segue-me”. A resposta ao “vinde após mim” é o “seguir”. Ela indica a ação de uma pessoa que responde ao chamado de Jesus para um discipulado decisivo e íntimo.
  • “Discípulo” (mathetes): significa aprendiz, aluno, discípulo. Refere-se a alguém que se associa a outra pessoa para adquirir conhecimento teórico e prático. Essa palavra aparece 264 vezes no NT, exclusivamente nos Evangelhos e em Atos. Nesse contexto, o seu uso clássico no sentido de “aluno” ou “estudante”, não se acha. Um discípulo de Jesus era alguém que havia atendido ao Seu chamado e se colocado em total sujeição a Ele. O discípulo se apegava ao Mestre para aprender a cumprira vontade de Deus e cooperar com o seu reino. Por isso o discípulo tinha, literalmente, que seguir a Jesus, ou seja, abandonar tudo e ir atrás Dele, viver com Ele.

Devemos também considerar que mathetes é uma palavra grega que era usada numa cultura judaica. Nesse contexto, o discípulo desejava não somente aprender, mas ser como o seu mestre. Não havia um relacionamento mestre-aluno, e sim senhor-servo.

  • Josué era servo de Moisés (Ex24:12),
  • Eliseu era servo de Elias (1Re19:19),
  • Geazi era servo de Eliseu (2Re4:12),
  • Baruque era o servo de Jeremias (Jr32:12-13).

Desse modo, vemos que os discípulos de Jesus tinham plena consciência de que eram servos do kyrios (Senhor). Dai podemos ver a natureza e a intensidade do relacionamento que eles tinham. Podemos dizer que:

um discípulo era alguém que havia atendido ao “vinde após mim” de Jesus e deixado tudo passando a “seguir” seu novo Senhor num íntimo relacionamento com ele.

Mc 3:13-14 Jesus subiu a um monte e chamou a si aqueles que ele quis, os quais vieram para junto dele. Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar

Lc 8:1 Depois disso Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele.

Algum tempo depois do início do Ministério de Jesus, já havia um grupo de pessoas que o acompanhavam por toda parte. Ele, então, escolheu doze deles para um relacionamento ainda mais próximo, para que estivessem come ele e os enviasse a pregar. Assim, por toda parte onde Jesus andava, os doze estavam com ele. Eles viram seus milagres, ouviram seus ensinamentos, participaram de seus conflitos e perseguições, presenciaram sua angústia e sua alegria, viram-no chorar pela morte do amigo querido, e contemplaram seu sofrimento e agonia até a morte na cruz. As marcas desse envolvimento pessoal foram tão fortes, que mesmo depois da morte de Jesus eles permaneceram apegados a ele e não conseguiam suportar a tristeza de sua ausência. Só se alegram novamente, e de forma extrema, quando o viram ressuscitado e tocaram em suas feridas.

Isso também é o que Ele espera de todos nós hoje. Um relacionamento íntimo e intenso com ele. Em nossa rotina diário, precisamos trabalhar, estudar, arrumar a casa, levar crianças a escola, cuidar de enfermos, viajar, tomar decisões e muitas outras coisas. Mas, se em meio a tudo isso, quisermos seguir o caminho correto, precisamos que desenvolver relacionamento e comunhão com Jesus. É nesse relacionamento que aprendemos a ouvir a voz do Pastor. Aprendemos a identificá-la, reconhecê-la em meio a tantas outras que nos cercam e obedecê-la. Talvez por isso, antes de subir aos céus, Jesus lhes tenha feito uma de suas mais preciosas promessas:

Mt 28:20b “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”.